As/os estudantes não podem pagar pela crise! Rumo ao 54º Congresso da UNE

O Brasil se encontra numa grave crise política, econômica, social e civilizatória, que coloca em questão o presente e o futuro de milhões de jovens e de toda população. O ajuste fiscal promovido pelo governo Dilma, por meio de seu ministro Joaquim Levy, afeta diretamente as áreas sociais e, entre elas, particularmente a educação. Após ter assegurado o contrário durante a campanha eleitoral, o governo já anuncia ataques a direitos trabalhistas, como o seguro-desemprego, o abono salarial e as pensões por morte, incorporados nas MPs 664 e 665.

Enquanto isso, a política econômica levada adiante no país segue beneficiando, sobretudo, os bancos e os milionários, ao sustentar a mais alta taxa de juros do mundo e seguir pagando religiosamente a dívida pública, que consome, segundo dados da auditoria cidadã da dívida, cerca de 45% do Orçamento Geral da União, enquanto que para a educação são reservados cerca de 3,7%.

Assim não existe nenhuma razão para a política de cortes, principalmente os da educação, pois este dinheiro está sendo desviado para os bancos através da cada vez mais elevada taxa de juros. Ou seja, o problema não é a falta de dinheiro, mas sim o seu destino. A conclusão é clara: o ajuste fiscal que se coloca em curso incide apenas para os trabalhadores, os grupos oprimidos e os mais pobres, mantendo intactos os lucros e interesses dos ricos.

corte

Em defesa da Petrobras

A Petrobrás é o alvo do neoliberalismo, a ainda estatal é o centro dos debates sobre a corrupção numa tentativa de seguir aprofundando o processo de sua privatização, iniciado durante os governos FHC e aprofundado nos governos petistas. Ela é de suma importância para o desenvolvimento econômico, cientifico e social do Brasil, sendo necessário defender o patrimônio do povo brasileiro de forma coerente com os interesses da classe trabalhadora.

Hoje, defender a Petrobras é ser contra a política de desinvestimento e desmonte em curso, contra a paralização das obras das refinarias do CE e do Maranhão, contra a privatização do nosso petróleo através de leilões que dão de bandeja as nossas riquezas para empresas estrangeiras. Assim lutar por uma Petrobrás 100% estatal sob controle social dos trabalhadores, a reestatização dos campos de petróleo leiloados e o confisco dos bens das empreiteiras envolvidas nos esquemas de corrupção e punição aos corruptos e corruptores é dever fundamental e histórico da UNE.

Insatisfação com os governos e intesificação das lutas da classe trabalhadora e das/dos estudantes

Desde junho de 2013, o sentimento de insatisfação de amplas massas é claro. Diante dos atuais escândalos de corrupção, agrava-se ainda mais o descrédito da população diante da política. O sistema político brasileiro, assentado no financiamento privado de campanha e em mecanismos retrógrados, propicia a multiplicação dos escândalos, como não apenas o da Petrobras, na operação Lava Jato, mas também o “Swissleaks” no escândalo HSBC. Ao mesmo tempo, todos os governos comprometidos com a política neoliberal, sejam eles federal, estaduais ou municipais, reproduzem a repugnante lógica da governabilidade e do “toma-lá-dá-cá”, que, conduz, por exemplo, figuras como Kátia Abreu ao Ministério da Agricultura, Gilberto Kassab no Ministério das cidades, Armando Monteiro no Ministério do Desenvolvimento.

Nas presidências do Senado e da Câmara, estão dois dos maiores expoentes da direita conservadora brasileira, não à toa envolvidos na lista da Lava Jato: Renan Calheiros e Eduardo Cunha, ambos do PMDB da base aliada do governo. Este, em particular, notabiliza-se como membro da bancada evangélica e defensor de projetos execráveis tal como o “dia do orgulho heterossexual”. Denunciá-los e exigir suas renúncias é uma tarefa da juventude.

Neste grave quadro social, multiplicam-se as lutas de resistência no Brasil, muitas delas vitoriosas. Como setor diretamente afetado pela crise na Petrobras, os operários do COMPERJ foram capazes de dobrar a espinha do governo e obter suas conquistas. No Paraná, uma multitudinária greve da educação e do funcionalismo ganhou a queda de braço contra o “pacotaço” de ajuste de Beto Richa (PSDB). As greves dos trabalhadores de callcenters combatendo a terceirização ilícita e as péssimas condições de trabalho em todo Brasil também foi muito importante, assim como a radicalizada luta dos trabalhadores terceirizados das universidades pelo pagamento de salários atrasados, que teve grandes triunfos na UFRJ e na UFF. Além disso, a greve dos garis do Rio, brutalmente reprimida e criminalizada pelo governo Paes (PMDB/PT), que já arrastou o exemplo para Curitiba e mais de 100 municípios de SP, nos coloca a necessidade de defender intransigentemente o direito democrático à greve de toda a classe trabalhadora.

Pelas universidades públicas, federais e estaduais, e privadas, os estudantes cada vez mais se mobilizam. Pelo Brasil, ampliam-se as lutas que exigem uma nova política econômica, que defendem educação, saúde, moradia, transporte e mais direitos para todos, sobretudo para os setores mais atacados e excluídos, das mulheres, das/os negras/os e da população LGBT.

A saída é radicalizar nas lutas em defesa dos nossos direitos e do povo

Numa contra-ofensiva, a direita também busca voltar às ruas. Dialogando com a indignação do povo, setores tentam apresentar saídas reacionárias para a crise brasileira. É o caso dos grupos que recentemente defenderam, nas ruas, abertamente a volta do regime militar no Brasil, ignorando uma história de assassinatos, torturas e crimes contra a humanidade cometidos pelos militares no Brasil. Não se deve transigir com estes setores nefastos em ocasião nenhuma. Pelo contrário, contra eles levantamos cada vez mais a memória de Edson Luís, Alexandre Vannucchi Leme, Stuart Angel, Honestino Guimarães e Manoel Lisboa e outros, para que “nunca se esqueça” e “nunca mais aconteça” o que se passou na ditadura brasileira, e afirmamos a necessidade da radicalização total da democracia brasileira.

Acreditamos que a conjuntura brasileira hoje exige um engajamento decisivo da juventude nas lutas diretas e radicais. É necessária uma oposição de esquerda radical ao o ajuste fiscal, além da demonstração de que não aceitaremos nenhum direito a menos. A saída para a grave crise política, econômica e social brasileira, não se encontra nem no governo federal, hoje o aplicador do programa de ajuste da direita brasileira, nem na direita reacionária e conservadora que articula retrocessos. A luta da classe trabalhadora e da juventude vem se conformando como uma alternativa concreta para a sociedade brasileira, ocupando cada vez mais as ruas para propor as reais transformações necessárias para uma alteração radical do modelo de sociedade.

Seguindo o exemplo das lutas vitoriosas dos trabalhadores e do chamado à construção do dia 26 de março como o Dia Nacional de Luta da Educação, queremos construir uma nova alternativa para o Brasil. Com esta política, convocamos também todas e todos os estudantes do Brasil para o 54º Congresso da UNE!

Texto extraido da resolução de conjuntura da Oposição de Esquerda no 63º CONEG da UNE.

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