Debate sobre dívida pública na USP

Cartaz do debate

Cartaz do debate

          Desde que o movimento REBELE-SE foi criado, temos como eixo central a luta por uma auditoria da dívida pública brasileira e o fim do pagamento desta injusta e ilegal dívida. Ao longo dos anos a luta pelo investimento de 10% do PIB na educação nos deu a certeza de que só resolveremos esta dívida social quando acabarmos com o pagamento da dívida pública, pois é exatamente daí que sagram todos os anos quase metade do orçamento público em benefício dos grandes agiotas nacionais e internacionais: os banqueiros.

           Recentemente diversos economistas denunciaram que os royalties do petróleo destinados a educação não resolvem a questão, pois mesmo em dez anos não chegam a completar 5% do PIB que é o necessário para chegarmos a 10% do PIB investidos em educação. Desde que alguns grupos do movimento estudantil passaram a ter como centralidade a defesa dos royalties do petróleo para a educação, nós dissemos que este não era o caminho. Afirmamos à época e continuamos a afirmar que apenas o fim do pagamento da dívida pública nos garantirá 10% do PIB para a educação, mais verbas para a saúde, saneamento básico, habitação popular e etc.

            Nesta quinta-feira (08.08) acontecerá no auditório da Escola de Aplicação da USP (FEUSP) às 19h30, um debate sobre a questão. Com o tema “Dívida pública: dinheiro tem, mas para onde vai?”, o debate acontecerá com a participação, indispensável neste debate, da economista Maria Lúcia Fatorelli, e é organizado pela Auditoria Cidadã da Dívida. Convidamos todas e todos para participar do debate e mais ainda para participar ativamente da campanha por uma auditoria cidadã da dívida! Assista abaixo um debate de Maria Lúcia Fatorelli.

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“A UNE precisa lutar pela ampliação das universidades públicas”

Edísio é presidente do DCE-UFCG e diretor de universidades públicas da UNE

Edísio é presidente do DCE-UFCG e diretor de universidades públicas da UNE

         No seguimento das entrevistas que marcam a retomada de nosso blog, Edísio Leite, 21 anos, estudante de Engenharia Química, diz a que veio agora que foi eleito diretor de universidades públicas da UNE. Edísio atualmente também é presidente do DCE da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

REBELE-SE na UNE – Em 2012 vivemos a maior greve das Universidades Federais dos últimos dez anos. Não se espera menos do ano de 2014, visto que encerra o prazo do governo para cumprir com suas promessas. Qual a sua avaliação desse processo?

Edísio Leite – O movimento grevista de 2012, constituído por trabalhadores e estudantes das UF’s, mostrou que a universidade que é propagandeada de fato não existe. Apesar do grau de desmobilização da majoritária da UNE, o movimento estudantil foi protagonista desta mobilização. A Oposição de Esquerda da UNE mostrou que o movimento é construído na base, através das assembleias estudantis, das mobilizações por mais assistência estudantil e na construção do CNGE, defendendo uma universidade pública de qualidade. A UNE precisa defender a ampliação das universidades públicas, mas que esta tenha as condições necessárias para a construção de uma universidade de qualidade e com direito a permanência estudantil, até porque há tanto dinheiro para a Copa e para os banqueiros e faltam professores e restaurantes para os estudantes.

REBELE-SE na UNE – Durante sua gestão como presidente do DCE da UFCG, após intensas mobilizações, vocês conseguiram barrar a EBSERH. Agora como Diretor de Universidades Públicas da UNE, como você acha que a entidade deve mobilizar essa luta nacionalmente?

Edísio Leite – Aderir a EBSERH é a privatização dos nossos Hospitais Universitários, submetendo os trabalhadores a um regime de trabalho precário e levando os hospitais a serem administrados sob a lógica do lucro, ou seja, implantar a EBSERH é negar saúde ao povo. Na UFCG foi barrada, mas em várias universidades as reitorias e o governo federal estão atropelando a autonomia universitária, obrigando a aceitação da EBSERH sem o mínimo de debate. Essa nova gestão da UNE precisa encampar nacionalmente essa luta, construir debates nas universidades, mobilizando os estudantes para pressionar o governo e as reitorias por mais investimentos e concurso público para os HU´s. Só com uma articulação nacional entre estudantes e trabalhadores, mobilizando milhões em todo país, seremos vitoriosos.

“UNE tem que lutar por CPI das universidades privadas no Congresso”

Kate Oliveira é presidente do DCE-UNISUAM e diretora de Pagas da UNE

Kate Oliveira é presidente do DCE-UNISUAM e diretora de Pagas da UNE

         O Blog REBELE-SE na UNE reestreia com quatro entrevistas, dos novos diretores da UNE indicados pelo movimento universitário REBELE-SE. A primeira entrevista a ser divulgada é da diretora de universidades pagas da UNE e presidenta do DCE da UNISUAM Kate Oliveira.

REBELE-SE na UNE – Vimos nos últimos anos o crescimento da desnacionalização da educação superior no Brasil. O que isso significa para os estudantes e para o Brasil?

Kate Oliveira – Os empresários que possuem ações nas empresas que estão comprando universidades brasileiras não possuem nenhum interesse no desenvolvimento e bem-estar do povo Brasileiro. Eles não conhecem a realidade do nosso país e suas necessidades reais, ou se conhecem ignoram, pois seu interesse maior é o lucro. Nós precisamos formar profissionais para áreas que possuem déficit, como por exemplo medicina. A maioria das IES privadas só oferecem graduações com baixo custo para a instituição (e grandes mensalidades para os estudantes) e mesmo assim na maioria sem qualidade. A UNE deve ter uma posição contrária a desnacionalização da educação, e essa posição não deve existir somente em papeis, mas em ações concretas proibindo a venda de IES a consórcios estrangeiros.

REBELE-SE na UNE – São Paulo e Rio de Janeiro realizaram CPI’s que investigaram as universidades privadas que atuam nesses estados, diversos crimes foram descobertos (leia aqui mais sobre). Sabemos que esse problema acontece em todo o país, como a UNE deve atuar para acabar com esse desrespeito aos estudantes brasileiros?

Kate Oliveira – A UNE tem que intensificar a luta pela fiscalização efetiva do MEC nessas instituições. O trabalho que o MEC faz é total ineficaz. O INSAES (Insti tuto Nacional de Supervisão e Avaliação da Educação Superior) não dá resposta concreta a nenhum problema grave que vivem os estudantes do ensino privado. Mesmo assim arrasta-se no Congresso sem ser aprovado.

Diversos são os problemas que estudantes, tecnico-administrativos e professores passam todos os dias nas IES privadas, desde a falta das mínimas condições de infra-estrutura para o funcionamento dos cursos até o desvio do FGTS dos professores pelas mantenedoras. Mesmo com todos os problemas os cursos tiram notas altas na avaliação do MEC. A UNE precisa lutar pela abertura de uma CPI nacional, que investigue os crimes em todo o país, prenda os criminosos e estatize as instituições sem nenhum ônus para o Estado brasileiro.